2021 - claudioloes

Cláudio Loes
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2021

Efemérides
Efemérides,   conforme o Dicionário Houaiss "livro, agenda em que se relacionam os acontecimentos de cada dia; diário"
e o Dicionário Aurélio, um "diário, livro ou agenda em que se registram fatos de cada dia".
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"Meter o braço" 14/04/2021
Sabe que ultimamente estou relevando tanta coisa e está sendo interessante, quanto mais faço silêncio rádio para estas indelicadezas, falta de classe, chateação, incomodo que muitas pessoas proporcionam, mais vão aparecendo as pessoas que tem sensibilidade, amor, paciência, que buscam o novo, a aventura, enfim, saem da mesmice.
Tem sido encantador, claro que não é fácil, as vezes dá vontade de voltar atrás e "meter o braço" com tudo.
Fico rindo à toa de vez em quando, espero resistir porque o resultado tem sido muito bom. Penso que voltar a caminhar na madrugada tem dado outra visão, um dia de oportunidade, quando tudo ainda pode acontecer.
Ir ver o pôr do sol é diferente, passa a ser mais um olhar para trás, ver o dia que passou. Claro que se puder fazer ambos seria melhor ainda. Tudo para manter a calma e serenidade nos caminhos da vida.

Verdade ou mentira? 7/4/2021
Tudo o que falo e tudo o que escrevo é sempre verdadeiro; aquilo que foi por mim produzido e expresso pela fala ou pela escrita. Ninguém jamais seria falso ou mentiroso nesse sentido. Se escrevo uma frase inteligível para mim, no futuro ela é verdadeira porque posso decifrá-la, saber o que foi escrito. Se digo que a luz cegou meus olhos, isso é uma expressão verdadeira, com força brutal de poder tirar a visão. Sim, vais reclamar dizendo que não é bem assim. Concordo contigo.
Vamos pegar a frase: a luz cegou meus olhos. Claro que isso pode não ter acontecido e estou aqui escrevendo, vendo o que escrevo, olhando para o teclado. Então, poderias dizer que expressei uma mentira. Sim, em relação ao tempo de quando expressei a frase e o agora, bem depois, é uma mentira, porque não fiquei cego, porém, isso não tira a verdade da frase em si: a luz cegou meus olhos. Ela tem força de expressão de um instante, um momento.
Podes dizer que é um engano que criei, sim concordo também, mas pense bem, tudo o que escrevi até aqui é mentira ou verdade? A escrita em si é verdadeira, estou sendo verdadeiro em relação ao que pensei e depois coloquei em palavras. Ao longo do tempo, ou com outras contribuições e pontos de vista poderá ser que não.
Aí estaríamos indo um pouco mais além para, quem sabe, descobrirmos que tudo o que fazemos é manter uma mentira verdadeira o tempo todo.

Desabafo de um eremita. 24/3/2021
Estar num canto, isolado e sem saída é a pior fase que pode existir. Todos têm seus tempos, suas exigências e os meus pedidos pessoais ficam de lado. Não é uma questão de coisas grandiosas, de alto custo. São muito simples e posso citar até um relacionamento íntimo e sincero de fato. Não existe exigência, mas sinto a falta disso e vai ficando pior a cada dia que passa. Quanto as profissionais não têm nada que valha a pena citar. Posso fazer muitas coisas aqui e nenhuma delas tem valor porque não existe o outro. O isolacionismo paira nestas terras, levada pela poeira lá embaixo. A cada dia que passa os fundamentos vão perdendo um pouco de sua essência. O sol abrasador e as noites invernais fazem todo o trabalho com paciência milenar. Queria até voltar lá embaixo e refazer alguns fundamentos, mas não teria forças para voltar aqui em cima. Todos os dias me enviam uma cesta de alimentos, o que me mantém vivo. Porém, já não existe espaço, porque vai ficando apertado o coração e respirar tem sido sufocante. Antes ainda podia ver outros e me comunicar, mesmo a distância. Hoje, parecem todos tão perto e quanto mais perto mais surdos penso que estão. Os mais novos poderiam melhorar os fundamentos, mas quando descem não voltam mais, simplesmente se perdem e nem sei qual destino tomaram. Fico aqui neste lamento que consome meus dias e para os quais penso que a esperança também definha. Meu consolo é quando vem a noite e tudo silencia. Abre-se uma estrada para os céus e posso por ela caminhar até cansar, depois deito-me e durmo. Sonho com as estrelas e planetas que vejo se apagarem para os olhos.


Como os animais. 05/03/2021
Andar pelas matas, fazer trilha por uma sanga, sentir a água gelada num dia de calor intenso, ouvir o canto dos pássaros, é uma fonte intensa de felicidade. A reconexão profunda é como recarregar as energias e partir para um novo ciclo de atividades com as baterias novinhas em folha. O que poderia estragar tudo isso?
Um ser muito inteligente que supomos estar no topo da evolução. Ele consegue fazer muitas coisas, usa o cérebro para pensar, consegue se organizar em grupos sociais que tem maiores chances de perpetuação da espécie. Consegue até sair da terra, sua casa, aquela que garante sua existência e sustento para buscar outros planetas, se aventurar pelo espaço.
Mesmo com toda a sua tecnologia, este ser, que se diz humano, tem um grave problema. Ele não consegue fazer algo que a natureza, as plantas e os animais fazem muito bem. O ser humano na maioria dos casos, com raríssimas exceções, consegue fazer de tudo gerando o que chamamos de lixo.
Sim ele gera lixo, o único animal que faz isso. Os outros animais gera
m somente resíduos. Os resíduos depois de degradados voltam como nutrientes para as plantas, que depois servirão de alimento para outros animais e o ciclo segue adiante. Existem muitas outras complexidades neste ciclo de reaproveitamento, reuso e regeneração.
O ser humano se orgulha de não ser mais somente um animal. No entanto eu teria um grande pedido para fazer. Quando você estiver nos campos, matas, rios, cachoeiras comporte-se como os animais, por favor. Leve seu lixo para casa, guarde corretamente, porque a natureza não sabe o que fazer com esse lixo. Algumas bactérias estão aprendendo a se alimentar de alguns lixos, mas isso é pouco.
Por favor, comporte-se como os animais, leve seu lixo com você.

Reflexão Covid. 22/02/2021
É tudo muito triste, mas entendo que existe algo nisso tudo que penso e não estudei sobre, ou outra leitura. A natureza sempre procura um equilíbrio quando a pressão é muito alta. Já observei isso em criações, plantações. Os peixes aqui em casa quando comecei a aquaponia. Eu tinha mais peixes do que plantas, eles pegavam doenças o tempo todo. Aí fui aprendendo a equilibrar melhor a relação planta e peixe, aí são saudáveis, os parâmetros da água ficam estáveis e a relação é boa para ambos. Nós somos muitos como indivíduos, muitos tomam medicamentos regulares o tempo todo para continuarem vivos. O resultado é um aumento dessa pressão sobre recursos naturais para garantir a nossa vida. E aí vem o vírus para equilibrar as coisas, temo somente que ainda poderá ser pior, porque os que ficam vivos e com sequelas continuarão sendo alvo fáceis para outras ondas, algo que já estamos observando. Enfim, é triste ver partir porque são entes queridos, mas temos que ter tudo isso em mente. Só não sei se mesmo com tudo isso aprenderemos a ser mais equilibrados nesta relação do ser humano, como espécie humana, com tudo e com todos.

Vida Boa. 14/2/2021




Penso que daria para escrever uma crônica sobre aqueles que querem a vida boa sem nenhum esforço. No início uma corrida, um lugar na beira do mar com todas as mordomias. Aí descobrem que tudo tem um custo e a natureza é muito precisa na relação custo e benefício. A queda normalmente é alta, a maioria aprende pela dor e isso quando aprende. Quando ficam muito mal, cambaleiam para lá e para cá. Ainda tentam se agarrar em alguma esperança vã. O resultado é um só, descobrem que o fundo do poço é um pouco mais embaixo. Saem ralados, machucados ao extremo. Tudo pronto para seguir num velório sem fim e com todos dizendo: “falei que ia acontecer”. Parar? Nunca, jamais, é preciso seguir, a experiência sempre irá evocar novos rumos, novas tomadas de decisão. Se não tiver aprendido então é preciso correr novamente. Por que estou usando o plural? É sobre minha pessoa singular que estou falando. E se a experiência servir, por favor, não repita as mesmas decisões e ações. É só o que tenho a dizer. O resto você irá descobrir.

Palavras. 7/2/2021
Palavras são aço bruto, tudo depende do fio que se dê, da curvatura, do bisel ou mesmo o lugar onde se combinem com outras. O contexto, a entonação, tudo faz parte para dar brilho a este material bruto.
Queres protestar? A vontade, porque as palavras não são tão brutas assim, apartadas de nós. Elas nasceram ao longo de milhares de anos. Lá atrás o primeiro ronco mostrando os dentes para defender a caça recém abatida.
Os que queriam tomar uma parte do quinhão se uniram. Rosnaram em outro tom para combinar o assalto para comer. Vamos pense um pouco. Qual seria uma próxima possiblidade? Roubar a fêmea?
Aí teria que ser mais sofisticado, porque a força bruta contava ainda. A natureza sempre reproduz quem tem mais chances de se adequar, adaptar às novas condições. Teria que ter força e algo mais. Um alimento refinado que precisaria ser comunicado. Lembra de quando você come um pedaço delicioso de bolo e faz um som parecido com “hum”.
Poderíamos fazer um longo tratado sobre esta evolução. Não lembro ter lido algo antes. Só lembro um pouco das aulas de português quando aprendi sobre radicais, sufixos e prefixos das palavras. Nossa língua portuguesa com suas origens no grego e latim.
Muitas palavras foram sendo mescladas ao idioma e o nosso também foi para outras culturas.
Enfim, quero chegar nesse ponto da sofisticação das palavras e do seu uso. Porque aqui nós voltamos ao terceiro parágrafo deste texto. Pensamos ser muito evoluídos e ainda fazemos o mesmo uso. Basta pesquisar um pouco para ver a quantidade de dicionários que existem.
Vários grupos humanos com idiomas diferentes e dentro dos idiomas com dicionários para grupos específicos. Um exercício de poder discreto entre nós humanos. Temos palavras específicas para determinado grupo que serve para diferenciar quem não faz parte.
Aí fico com aquela dúvida cruel. O que ainda poderia nos unir como humanos? Teríamos uma língua comum ou manter a diversidade é o melhor? São dúvidas que sempre me rondam nas noites de lua cheia e nos dias de sol num céu de brigadeiro.

Diálogo. 1/2/2021
(mensagem postada num grupo de literatura do qual participo e temos a proposta de fazer criações com base numa proposta, junto desta mensagem foi um fotografia com uma Aldravia)
Minha proposta de criação para a semana fica inicialmente prejudicada porque tenho que começar com um “mea culpa”. Não consegui participar das duas primeiras e não pedi mais instruções para entender melhor qual seria a proposta.
Enfim, o silêncio pareceu uma proposta estranha e posso dizer que entendo por ser o primeiro mês do novo ano, que espero tenha desafios, prazeres e afazeres diversos para nos animarmos.
A pior solidão entendo ser a de um grupo. Porque temos muitas riquezas, diamantes para serem encontrados e lapidados. Devo confessar que não trouxe mais ninguém para o grupo porque a relação “corpo a corpo”, de um para um, tem tido efeitos e resultados melhores. Claro que poderiam ser maiores se fossem no nosso grupo.
Nesse passo, quero manifestar o apresso que ainda tenho pelo nosso grupo. E tenho a impressão de que precisamos voltar com nossas reuniões virtuais, numa primeira fase. Se vierem só três ou quatro já é melhor do que a solidão do grupo com carinhas e palmas de manifestação.
Participar exige um gasto de energia inicial, a experiência que tenho é grande e tem pessoas no grupo que também sabem como é tudo isso. Depois que a roda começa a girar, aí deixa de ser um peso, um gasto, para ser um prazer participar. Ainda seremos sempre melhores em grupo, um grupo de pessoas, inteligentes, belas e charmosas que buscam manifestar suas ideias, sentimentos e emoções pela prática da escrita.
Enfim, o diálogo. Precisamos do diálogo, o diálogo literário, para expor nossas criações e evoluir pela apreciação, crítica, sugestão, para sempre buscar o melhor. Ter esse desafio de ser criança que busca, questiona e vem e diz eu fiz assim ou assado.
Portanto, a proposta que tenho para o grupo é começarmos bem leve. A arte, fotografia mais a aldravia, espera iniciar um diálogo. Nada de palmas, carinhas, elogio ou outro. Ela é tímida e com seu dar-se a conhecer ela espera também conhecer outras artes.

Livros. 25/1/2021
Portas e janelas de nossa evolução. Escrever não é fácil e ler também não. Tudo exige esforço, energia e vontade. Quem escreve começa com uma ideia, que lê pode começar por uma frase. O gosto vai aumentando, o importante é começar. Escrever a primeira frase, ler uma aqui e outra ali. Depois tudo fica melhor e descobrimos quantos mundos se abrem quando lemos. Vamos compreender que a nossa existência tem facetas tristes, alegres, divertidas, sem noção, e tudo o mais que encontramos, imaginamos ou sonhamos. Abrir um livro é como abrir uma janela. Olhar lá fora pode cegar, mas sempre será melhor do que ficar mofando dentro, solitário, num canto qualquer. Escrever vai na mesma linha. Quando você começa a escrever, é como abrir um buraco na parede. Depois de aberto é preciso acertar, tornar atraente, instalar uma porta ou uma janela, para sempre poder passar, ir e voltar. Leia! Escreva! Leia! Escreva!

Brasileiro. 18/01/2021
Quanto ao brasileiro ser educado e que valoriza a boa conduta, as boas ações e toda a lista que podemos colocar, não tenho mais nenhuma ilusão ou expectativa. A Europa não nasceu culta, e temos um caminho enorme pela frente. Se pegar pelos países asiáticos, tudo é milenar. Então, volto a dizer que o caminho é longo. Isso também não quer dizer que desisto, um livro aqui, um poema ali, uma conversa acolá, fazendo eu mesmo aquilo que o brasileiro deveria ser. Se for mau interpretado ou não também deixou de ter importância. Como não guardo citação exata de cor, vou no religar.net porque sei onde guardei. E lá está a citação que cada vez fica mais clara para mim. “Através dos séculos existiram homens que deram o primeiro passo ao longo de novos caminhos, sem outros recursos além de sua própria visão”, da filósofa Ayn Rand. Vou criando visões que dão direção e desencadeiam ações concretas, muitas podem não dar em nada, fracassar no meio do caminho e até chegarem ao final. Mas, nem por isso vou desistir.

A cada ano. 1/1/2021
A cada ano nos enchemos de esperança. Muitos fazem planos e promessas, e outros tantos brindam, enquanto outros choram. Afinal, o dia segue seu curso, e não temos uma marca, uma ligação profunda com o acontecimento. Temos a passagem de um ano com base em um calendário adotado em 1582, o calendário gregoriano.
Pessoalmente, eu gostaria de poder comemorar mais os equinócios e solstícios, relacionados com a posição do sol em relação à Terra, por serem marcas iguais para todos nós. Isso, sem esquecer as fases da lua, por serem, também,  marcas iguais para todos nós, mas isso tudo foi posto de lado e perdemos nossa conexão com a natureza, mesmo sendo ela a única que nos dá a vida a cada dia.
Peço que não entenda isso como um sermão ambientalista, porque essa não é a intenção.
A intenção e o desejo é que todos nós possamos neste ano de 2021 e nos outros que se seguirão, ficar todos os dias mais atentos e seduzidos por um maior relacionamento com a natureza, com seus ciclos e com todas as pessoas. Ter somente aquilo que nos é essencial e reservar mais tempo nos conhecermos mais e melhor.
Acordar todos os dias e buscar uma compreensão mais ampla, na busca da verdade e da essência de nossa humanidade.



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